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Postado por Fábio Fabato | 29/04/15 - 17:37

Vila Isabel

A dor e delícia do Boulevard

Clique para ampliarA Vila Isabel é uma escola que, curiosamente, adora abordar seus momentos, divórcios e Nerudas nunca lidos em sambas de enredo. E apresenta em cores de proporções romerobríticas a característica "hospedeira" das escolas de samba - espécie de identidade geral formada nos anos 30.Simas e eu tratamos deste bagulho em nosso "Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos" (Mórula). Escolas de samba, historicamente, gostam de formas de poder, sentem tesão visceral pelo reluzir de ouro ou lata. E se ele, o poder, muda ao sabor dos rolos, desenrolos, conchavos e pipocos da vida, elas também mudam. Ora, se o poder público dá as cartas, correm todas com os pires na mão e, numa suposta radiografia, receberíamos a imagem de todas elas penduradinhas e apinhadinhas em seu distinto saco. Na ausência de estado, a lambeção sempre seguiu para o jogo do bicho. E assim a vida continuou, o que, de alguma forma, promoveu a reinvenção dos desfiles, também razão de sua longevidade.

Em 1970, a Vila cantava "Vamos renascer das cinzas". Ainda nesta década, por imposição militar, "Aruanã Açu" - de canto contra o progresso desenfreado, virou apologia à Transamazônica. 180 graus de mudança. Uau! Em 1988, a sede era a sede de que o Apartheid se destruísse, mas havia também um velado pedido pela sede ("séde"), uma quadra e coisa e tal. Demorou mais alguns anos, chegaram a quase beijar a boca mole de Cesar Maia, o alcaide maluquinho, em 1993. Mas espaço de ensaio mesmo só mais tarde.

Caiu em 2000. Em 2005, uma forma de poder encampada por uma família fez a escola cantar "depois da tempestade, a felicidade, o azul retorna ao seu lugar". Em 2007, após o caneco de 2006, referendaram a força do clã-comando da escola - "A Vila também se modificou no universo do carnaval, lindamente desabrochou, e o sonho fez real". Quer apologia maior? Em 2009, "no alto da sede ("séde, de novo) coroa hoje brilha". E tome de mais confetes, e a comemoração de um momento de boas apresentações.

Mas aí vieram as vacas de novo magras, a escola passou pelada em 2014, um mico difícil de apagar. Eis que em 2015, já com a família que comandava a escola afastada, o samba proclamou "dignidade volta pro ninho". Era o tempo de novo comando feminino, e a ordem foi negar o passado recente. Ingratidão? Mas durou pouco. A presidente já anunciou que vai renunciar e, mais uma vez, a escola do bairro de Noel parece patinar.

Quem haverá de ser venerado nas dores e delícias do Boulevard e nos sambas que se seguirão? A conferir.

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