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Postado por Fábio Fabato | 22/01/14 - 12:17

CD 2014

Samba falado não rima com inovação

Clique para ampliarO CD do Grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro ainda é tão certo quanto os novos do Rei Roberto Carlos. Todo ano sai. No passado, quando os vinis ainda dominavam as prateleiras, os sambas da folia ocupavam o alto do pódio entre os mais vendidos. Em 1989, impulsionado por obras históricas como "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós" (Imperatriz), "Ratos e urubus, larguem a minha fantasia" (Beija-Flor) e, sobretudo, pela marchinha da União da Ilha que virou hit de torcidas - "Festa Profana" - foram comercializados 1,2 milhão de LPs.

Hoje, são vendidos menos de 100 mil compactos de carnaval. As razões são variadas - desde a perda de qualidade de algumas obras, passando pela facilidade de acesso a outras formas de audição. E ainda tem o mal da pirataria, que parece incontrolável em todas as partes do globo.

Este ano, porém, os produtores do CD - que não podemos chamar de novatos, muito pelo contrário - optaram por uma decisão que, sem dúvida, vai diminuir ainda mais o alcance do produto, fomentando, de forma indireta, a atuação dos piratas de plantão. Antes de cada faixa, há inacreditáveis discursos dos carnavalescos, que explicam de forma superficial os enredos das agremiações. As introduções aparecem mal editadas (na faixa da Acadêmicos do Grande Rio, por exemplo, o nome da cantora Maysa, enredo da agremiação de forma consorciada com o município fluminense de Maricá, é confundido com o da cidade) e soam como "bônus" atrelado ao produto errado.

Como imaginar a execução do CD em uma festa ou evento corporativo se, antes do ziriguidum de verdade, há discursos que parecem intermináveis? Mesmo os colecionadores do produto não irão resistir a uma edição caseira em que seja extirpada a mais equivocada decisão em matéria comercial desde que foi lançado o primeiro LP das agremiações, em 1968. Ora, discursos e falas de qualquer espécie são muito mais adequados a um DVD, produto também comercializado pela empresa licenciada.

No CD, os apaixonados desejam ouvir apenas os gritos de guerra e os sambas, sem firulas consideradas "modernas". Se, nos dias de hoje, já é uma dificuldade arranjar espaço nas emissoras de rádio para executar samba de enredo, já imaginaram prévio trabalho de edição das obras? Há escolas cujas faixas só começam de verdade no segundo minuto.

Depois de tantos anos, soa estranho que os produtores cometam erros de tal natureza. Atrapalham as vendas, deixam bravos os amantes do gênero, dificultam ainda mais o caminho de sucesso de um produto já tão cheio de obstáculos. Se a qualidade dos sambas de enredo não é a mesma de outrora, por outro lado, parece que os responsáveis pela decisão pouco entendem de inovação. Batuques iniciados com discursos soporíferos, definitivamente, não merecem nota 10 nas Cinzas. Evoé!


Texto publicado originariamente na seção Opinião do jornal O Globo.

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